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Brunna
Posted by Bruno Monteiro
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1.12.09
Nem faz tanto tempo que sentada na minha barriga, com as mãos apertava o meu nariz. Você ria quando fazia o barulho, e não entendia quando parava de imitar o buzinar de um trêm... Para não acabar com a magia segurava sua mão, recuperava o fôlego e a soltava, logo ia apertar novamente o meu nariz, voltava o barulho e junto com ele o sorriso...
Era engraçado ter você ali. Antes de te conhecer já te amava. Pedi um dia a Deus que não tivesse ido embora. Ele me atendeu. Tava tomando banho quando chegou em casa. Saí rápido debaixo d'água e fui olhar você, te achei engraçada. Queria ver os seus olhos mas bebês sempre gostam de escondê-los.
Te pegava nos braços com medo de te machucar. Nas madrugadas de Copa do Mundo escutava você chorar, entre um jogo e outro sempre ia no quarto dar uma olhadinha em você. Alguns jogos, até assistiu comigo, nos meus braços. A cadeira balançava e eu mal me mexia... não queria te acordar.
O tempo passou e você gostava de aviões de brinquedo. A minha mania de organização impediu que brincasse muito tempo com eles, assim como o xadrez de mármore que derrubou uma vez e tanto nos preocupou em não ter te machucado. Hoje, as peças quebradas assim como tantas coisas ainda guardadas são lembranças daquele silêncio que denunciava onde você estava.
Lembro de você brincando; comendo batata sentada na porta da cozinha; da barriguinha gordinha; do encanto que tinha pelo Nino, o gato fiel a você; a boneca bochechuda que parecia com você; sentada com a minha irmã escutando músicas e caindo na gargalhada; você sentada na bicicleta; mexendo na televisão; deitada na minha cama; brincando comigo; dos abraços e dos beijos; das coisas que só você escutou; e das promessas que fiz.
Nunca esqueci os passos esperançosos no hospital, a alegria de te ver voltar, e aquele abraço... o último abraço, fruto de algo inusitado, uma camisa azul em um guarda-roupa errado. Nas primeiras horas da manhã daquela rotina, deitei ao seu lado você me deu um abraço, o bracinho sob o meu pescoço e o último olhar, retribuí com um beijo e um "tchau", não sabia que aquele seria o último momento.
Seis anos de uma saudade que só aumenta. As vezes imagino como seria a sua voz, o seu sorriso, os seus cabelos de cachinhos, qual a matéria que gostaria na escola, se ainda ia rir das minhas besteiras... Penso se no céu as pessoas crescem ou permanecem iguais a quando chegam. Se você ainda é a mesma menina ou crescida como nos meus sonhos.
Você deve saber o quanto lembro de ti, em momentos de felicidade ou tristeza sempre lembro. Minha cabeça cheia de detalhes não esquece da alegria em escutar o "titi" ao chegar em casa sempre na hora que ia dormir.
Um dia, daqui a algum tempo, vou poder te dar um abraço e seremos felizes por toda a eternidade. E quanto as promessas... uma delas eu tô cumprindo e logo vou poder dizer: "É pra você Bruninha".
Titi Bruno