” De tanto ver triunfar as nulidades,de tanto ver prosperar a desonra,de tanto ver crescer a injustiça,de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,o homem chega a desanimar da virtude,a rir-se da honra,a ter vergonha de ser honesto."Rui BarbosaSempre tentei agir da maneira mais correta possível, no trato com os semelhantes, nas respostas "no meio da rua" a pessoas desconhecidas, no ouvido atento aqueles que em algum momento encontraram em mim alguém que escutava. Hoje vejo o quão ingênua é tal conduta, percebi nesse passar da vida que apenas aqueles que surrupiam bens e sonhos conseguem a concretização de seus anseios.
A admiração aqueles de conduta aparentemente honrosa é balela. As pessoas tentam passar aquela falsa impressão que bom mesmo é ser correto para não parecerem erradas. Assim, muitas vezes aquela máxima bíblica escrita em Mateus 20. 16, é dita como conforto aqueles eternos perdedores: "Os derradeiros serão os primeiros, e os primeiros os derradeiros." Soa como um "é assim mesmo" durante uma conversa sobre corrupção política.
Como acreditar em tal afirmação bíblica ante tantas provas da incoerência de tais palavras? Se questioná-las é pecado, aqui cometo um e provavelmente cometerei durante toda a minha vida.
Outro dia ao descer de um ônibus, vi um garoto do tamanho do meu sobrinho de 2 anos e meio com caixas de chiclete na mão correr para alcançar e entrar em uma porta de ônibus que se fechava. A cena causou alguns sorrisos tímidos nas pessoas que a presenciavam, o feio tinha seu lado belo. Percebi o quão injusta a vida é.
Me sinto como Rui Barbosa, tenho vergonha de quem sou e sinto pena de todos aqueles assim como eu. Estou longe de ser alguém sem defeitos, mas até eles parecem ingênuos perante a desgraça que toma conta dos corações humanos. Talvez um dia possa novamente acreditar que condutas como a minha valeram algo, não mais me sentir mal em ter expressado o que sentia sem ter medo de piadas ou brincadeiras de mau gosto.
Percebo ser fraco e que vou entrar nesse jogo. Quem sabe vivendo o oposto encontre o sentido disso tudo. Se a felicidade é uma utopia de mentiras, já comprei a minha passagem para lá.
Bruno Monteiro